Do Felpa

Ao receber o seu primeiro sálario quando jogava no Atético Mineiro, o saudoso Felpa, de saborosas memórias, veio a Divinópolis e convidou o Quaretinha, rouperio do Guarani, para uma pescaria no Cardosa. Quarentinha topou.
Naquela época pescar no Cardosa era tudo que a juvntude divinopolitana queria. O Felpa, esbaldando grana, contratou o táxi do Baltazar para levá-los ao pesqueiro. O Felpa, calçando tamancos, calça pantalona, camisa listrada de manga cumprinda, cabelo black power e o Quarentina levando apenas um embornal de farofa e um litrão de aguardente comprado no Bar Pirimpimbim, na boca da ponte do Niterói. Só os dois não sabiam que tinham que levar as tralhas da pescaria. Tiveram com voltar em seguida, sem peixes. O Quarentinha tonto e o Felpa sem grana. Teve que gastá-la no pagamento do táxi e ainda com uma ameaça do Baltazar Lobisomen, proprietário do carro de praça: – Se o Quarentinha vomitar no táxi, vai ficar mais caro, Felpa.